terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Jornalistas espanhóis despedidos por email

Não é uma brincadeira, nem nenhuma informação falsa. O Canal 9, estação de televisão pública de Valência, despediu 843 profissionais via email. Os despedimentos surgem numa altura de profunda crise financeira em Espanha que os meios de comunicação acompanham igualmente. Do processo de despedimento colectivo, apenas 324 postos se vão manter a um prazo desconhecido.

Tal como noticiou o jornal espanhol El Mundo, pelas dez da manhã de sábado, os funcionários da estação televisiva foram apanhados de surpresa quando verificaram a notificação de despedimento por email. Esta situação, além da revolta que gerou perante os trabalhadores do canal, compromete ainda a maioria dos programas, uma vez que os poucos profissionais que ficaram não devem conseguir preencher todas as grelhas de programação. Os funcionários culpam o Partido Popular por este golpe e afirmam estar em causa a essência do serviço público televisivo.

Se isto pega moda em Portugal, não tardará muito que o patronato comece a desenvolver um email modelo de despedimento. A questão que se coloca, além da perca dos postos de trabalho, concentra-se na ética profissional destas questões formais. Um despedimento nunca é um momento fácil, muito menos quando acontece com este avultado grupo de números. Mas receber uma notificação destas por email deve ser uma sensação de desacreditação total de uma empresa para a qual se ofereceu todo o seu trabalho e dedicação. Da mesmas maneira que se exige dos funcionários ética e rigor profissionais, também se deve exigir do patronato. Não deve ser permitido este jogo de desrespeito para com os trabalhadores. Uma decisão destas devia, no mínimo, ser comunicada em plenário com todos os membros envolvidos ou ser comunicada a um porta-voz que posteriormente se reunisse com todos para transmitir essa decisão.

Fica pelo menos o alerta de que situações destas se estão a passar no país vizinho. Esperemos que em Portugal não venham a surgir casos destes.


Ver a notícia no El Mundo.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

A Fraude na SIC Premium

A SIC e a SIC Notícias estão a emitir em canal aberto uma Grande Reportagem de quatro episódios sobre a fraude do BPI.

Como não tive oportunidade de assistir ao episódio de hoje, fui consultá-lo posteriormente no site da SIC Notícias. Eis senão quando me deparo com este bloqueio de conteúdo que não me permite ver aquilo que toda a gente viu em horário nobre. Para assistir a esta reportagem tenho de concordar com os Termos e condições do serviço SIC Premium, um serviço onde se podem consultar conteúdos da SIC.



Ok... Porquê o bloqueio de um conteúdo que foi tornado público no próprio canal de televisão? Ah, e nada de histórias sobre propriedade intelectual pois existem formas mais eficazes de impedir a reprodução de cópias ilegais de um video. Este serviço premium, que exige um pagamento transformado em créditos para aceder a determinados conteúdos e programas, já emitidos e visualizados por milhares de pessoas, tem realmente uma verdadeira anatomia de um golpe.

Portanto, quem não aderir a este serviço não vai assistir a estes conteúdos. Ou seja, vai influenciar uma pessoa a assistir à reportagem no horário nobre, primeira transmissão, ou no horário de repetição, no outro canal de notícias. Grande jogo de audiências, diria eu. Mas, embora só tivesse conhecimento deste serviço agora, pelos visto já existe há mais tempo.

À SIC e SIC Notícias, como canais privados, não lhes chegam as receitas publicitárias? Parece-me que se está a estabelecer aqui uma relação um bocado perigosa entre os meios de comunicação privados e os internautas. O financiamento destes conteúdos são então pagos a dobrar: publicidade e telespectador-internauta? Ora, isso não me parece nada sensato, pois apesar de ser efectivamente uma estação televisiva privada, o serviço de venda destes materiais informativos ocorre no seu site informativo público e gratuito. Há, por exemplo, jornais online que adoptaram o sistema (legítimo) de vender artigos, e ao final do dia disponibilizam-nos publicamente. Mas neste caso, privatizar conteúdos informativos que já foram de usufruto público não faz sentido nenhum.

E a ERC não se prenuncia sobre isto?

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Superar-se a si mesmo

Hoje partilho convosco um artigo que achei muito interessante, motivador e útil em qualquer etapa da nossa vida.

"O ciclo vicioso da ousadia"


Superar os nossos medos e os nossos sonhos, nem sempre é uma tarefa fácil. Por vezes estamos longe do objectivo e a solução mais fácil parece ser a desistência. Porém, há que reavaliar não só aquilo que queremos como também aquilo que somos, como forma de perceber quais são as etapas que precisam ser alcançadas e ultrapassadas.

Desafiem-se e sejam os vossos próprios lideres.

Vale a pena tentar!

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Aguenta com esta, ó Ulrich!

"Se os sem-abrigo aguentam porque é que nós não aguentamos?" - Fernando Ulrich, presidente do BPI

Não fosse esta frase ser totalmente descabida e de um nojo inexplicável, tinha passado despercebida por entre as várias asneiras que o senhor tem dito nos últimos tempos.

É preciso fazer-lhe recordar que estamos em pleno século XXI. Sei que a sua área profissional pertence à economia e às finanças, o que em senso comum lhe chamamos de «números», mas já alguma vez ouviu falar de um documento importantíssimo chamado "Declaração dos Direitos do Homem"? Eu sei que não pertence à área das letras, e que não faz nada o seu género, mas no artigo 2.º desta declaração explicitam-se, muito claramente, direitos que a todo o ser-humano pertencem e que o senhor não se deve ter lembrado (será que alguma vez ouviu falar?) quando literalmente os atropelou na sua intervenção. Pois se não se recorda, passo a citar: "Art. 2.º (...) Esses direitos são a liberdade, a propriedade, a segurança e a resistência à opressão".

Estará recordado agora? É que propriedade é um direito. Como ousa referir os sem-abrigo como exemplo de equilíbrio para a economia portuguesa? O uso que deu à condição de sem-abrigo deveria ser punida, pois o senhor está a querer colocar todos os cidadãos portugueses na mesma situação, sem um pingo de vergonha, em vez de ajudar com os brutais milhões de lucro que obteve com os juros dos impostos que os portugueses pagaram e pagam todos os dias para que o seu banco estivesse hoje recapitalizado e em alta.

Só pode estar a ter alucinações. Pois eu tenho a solução para o seu problema. Já que não se importa de aguentar a austeridade, sugeria-lhe que realizasse uma espécie de intercâmbio cultural. O primeiro passo poderia começar por dividir o seu mísero salário com todos os sem-abrigos e, em seguida, oferecer-lhes o seu tecto. E para que fosse uma experiência mesmo à séria, passaria a dormir ao relento, ao frio e à chuva, procurando comer pelos latões do lixo da cidade. Parece-me inesquecível, e vejo que está cheio de vontade de se aguentar à bronca. 

Pois força, de certeza que todos o apoiariam. Só não se esqueça de uma coisa ainda mais importante que tudo isto: durante esse intercâmbio pelas ruas de Portugal, aprenda a ser humilde e, sobretudo, a não dizer nem pensar mais asneiras destas. 

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Rainha Beatrix, o príncipe herdeiro, Portugal... alguma coisa aqui não está a fazer sentido.

A rainha Beatrix da Holanda abdicou do trono para o seu filho e príncipe Williem-Alexander, a noite passada, tendo afirmado que estava na hora de "dar lugar às novas gerações" e que tanto o príncipe herdeiro e a nora estão "prontos para assumir essas responsabilidades".

Beatrix dos Países Baixos, assim reconhecida internacionalmente, nasceu em Baarn,  na Holanda, no dia 31 de janeiro de 1938. Foi corada rainha em 1980, após abdicação da mãe, a rainha Juliana, e vai dar coroar como rei o seu filho primogénito a 30 de Abril deste ano, no dia em que se comemora o dia da rainha na Holanda. Ficou também muito conhecida pelas leis pioneiras que tornaram o país holandês como o mais liberal do mundo: a legalização da eutanásia, do aborto, da prostituição, do consumo de drogas leves e do casamento e adopção para casais homossexuais.

Embora os holandeses já esperassem por este comunicado de Beatrix, a renúncia ao trono veio reforçar a ideia de que o novo rei irá representar bem uma nova geração com novos interesses e novas soluções para o país. Além disso, Williem vai ser o primeiro rei da Holanda desde o fim do século XIX.

Os Países Baixos são governados por uma monarquia constitucional independente desde a constituição de 16 de Março de 1815. Como se pode ler na Wikipedia:

"Na linha de sucessão ao trono holandês, existe igualdade de primogenitura. Ao contrário de outras monarquias da época, a Lei Sálica não foi aplicada nos Países Baixos desde a concepção da monarquia em 1814. A Constituição de 1814 estabelece que o filho mais velho do monarca iria sucedê-lo, e caso não existisse filhos, passaria para os irmãos do monarca. Só quando houvesse uma completa falta de homens na família mais próxima, seria a filha mais velha do monarca a lhe suceder. A Constituição de 1887 alterou ligeiramente, para que pudesse também ser incluídas as filhas dos irmão do monarca. Em 1983, os Países Baixos aprovou integralmente a primogenitura linear e igualitária entre os sexos (o filho mais velho é herdeiro)".

Uma interessante maneira de verificar a forma de governar de um povo aqui quase ao lado. Embora não seja adepta das monarquias, seja qual for o sistema que nela se integra, este regime tem sido muito acarinhado pelos holandeses e emigrantes que lá vivem. O que sustenta a minha tese de que o importante, antes de tudo o mais, é saber governar um povo, fazendo-os respeitar as leis do país e dando-lhes o que precisam para serem felizes.

Não me converteria tão facilmente ao facto de trocarmos o Dr. Aníbal Cavaco Silva pelo D. Duarte Pio, duque de Bragança. Ainda que estejam numa linha semelhante, existem grandes diferenças entre um e outro. Contudo, e embora algumas vozes se façam ouvir em contrário, um chefe de estado deveria fazer-se ouvir mais vezes e intervir mais nos assuntos que passam pelas suas mãos. É que em Portugal confundimos muito o sentido de intervir com o ser protagonista ou antagonista. Há quem defenda que o Presidente da República representa apenas mais uma peça ornamental do jogo e, por isso, deve cingir-se às suas funções de árbitro da partida. Embora Cavaco Silva seja o chefe de estado de Portugal com mais vetos políticos da história da nossa república, está longe de representar o povo português. E ainda assim foi o eleito democraticamente pela maioria (discutível).

Beatrix faz 75 anos, Cavaco faz 74. Ambos acompanharam diferentes gerações e diferentes problemas de ordem política, económica e social. Holanda é um pais teve de se refazer do pós-guerra, recriando cidades devastadas pela guerra e libertando-se de estigmas para que os seus habitantes vivessem em liberdade e harmonia. Portugal é um país que se teve de refazer do domínio fascista e que utilizou os apoios financeiros europeus para o seu desenvolvimento a nível de obras públicas, bem como para encher os bolsos a uma classe política e banqueira bem conhecidas.

A diferença está entre os dois regimes políticos das nações que Beatrix e Cavaco representam? Sim e não. Enquanto uns trabalhavam para o progresso do seu país, outros foram destruindo internamente o seu país ao desviar dinheiros públicos até não poder mais, com políticas inapropriadas para o crescimento da economia e a aumentar burocracias que entopem os tribunais. A propagação desse sistema corrupto ao longo dos anos é que originou estas fissuras tão grandes que são, no incomparável (pois um é eleito por sufrágio e outro é eleito hierarquicamente), precisamente comparáveis nestes termos entre sucesso e fracasso, sistema funcional e sistema corrompido. Ou seja, Holanda e Portugal.

Estará na hora de dar lugar às novas gerações? É que em Portugal temos vindo a verificar (impossível de não sentir na pele) com o mandato de Pedro Passos Coelho, primeiro-ministro português, que as esperanças de Beatrix não funcionaram muito bem connosco ("dar lugar às novas gerações", "prontos para assumir essas responsabilidades"). Estará a Holanda a tomar as rédeas de uma nova fase política inovadora e próspera ou Portugal a dar sinais de incapacidade política, económica e intergeracional?

As vítimas do fogo de artifício e da boate sem alvará

A tragédia que ocorreu na madrugada entre 26 e 27 de janeiro, numa boate nocturna do Brasil, que ditou a morte de mais de 200 pessoas (quase todas estudantes da universidade local), tem sido bastante divulgada pelos meios de comunicação social nacionais e internacionais. O falecimento, por si só, é uma matéria dolorosa e psicologicamente difícil de dirigir. E o acontecimento, por si só, tem contornos únicos que fizeram com que a lei, os media e as sociedades determinassem o debate sobre este assunto como prioritário durante estes dias.

Tudo ocorreu por volta das 2h30 da noite de sábado para domingo. A Boate Kiss constituia o local escolhido para a festa "Agromerados" dos estudantes da Universidade  Federal de Santa Maria, com um cartaz de artistas  bem ao gosto dos universitários. A Gurizada Fandangueira, uma das bandas mais sonantes do cartaz, é conhecida pelos efeitos visuais e pirotécnicos nos seus espectáculos. E tudo indica que foi durante a actuação desta banda que o incêndio que provocou a morte de 232 estudantes deflagrou. Sobreviventes da tragédia referem ter sido após o início do lançamento do fogo de artifício que o tecto começou a incendiar e se propagou pelo resto da sala, bem como o fumo e o pânico dos presentes.

A boate onde tudo aconteceu não tinha licença desde Agosto passado. Estaria, por isso, obrigada por lei a não abrir portas ao público. Porém, isso não aconteceu e a prova de que se consegue contornar a lei está aqui. De Agosto a Janeiro vão cerca de cinco meses de funcionamento ilegal, sem qualquer tipo de problema. Além disso, testemunhos do incêndio dizem ainda que o espaço estaria com sinalética errada, apontando a saída de emergência para as casas-de-banho, ou seja, para o lado errado da única saída existente no espaço. Outros afirmam também que essa única saída esteve bloqueada ao início pelos seguranças, como forma de obrigar os estudantes a fazerem o pagamento antes de abandonarem o local.

A fiscalização dos estabelecimentos nocturnos nem sempre são efectuados e seguidos à letra. O dono da Kiss, no seu depoimento, afirmou que não tinha alvará legal mas que estava em processo de renovação. Ora isto, a ser verdade, precisa ser revisto e analisado aos olhos da lei para que sejam aprovadas responsabilidades. Bem como o facto da utilização de materiais de pirotecnia, pelos membros da banda, em locais públicos fechados.

Não consigo imaginar o caos e o pânico daqueles jovens... O tentar fugir sem saber para onde, o querer sair sem ser permitido, a dificuldade em tentar ter sangre frio e evitar a inalação do fumo, a preocupação de não deixar os seus para trás... E tudo isto multiplicado por cada pessoa que estava presente a fugir para todas as direcções e aos gritos e aos encontrões e... entre mortos e vivos, a tentar lutar pela sua sobrevivência.

O Brasil acordou na manhã seguinte em choque pela notícia. O luto foi decretado, a bandeira ficou a meia-haste e os pais das vítimas, bem como o país, choraram a morte dos jovens universitários que estariam supostamente, e apenas, a divertir-se numa festa.

E é por ser um caso que, ao ser repensado nas mesmíssimas condições num bar/discoteca de Lisboa, e a ter o mesmo desfecho, me preocupa ainda mais. Porque não é impossível e não está longe de um dia vir a acontecer. Somos um povo mais pacífico, até mesmo nas festas. Mas locais públicos fechados há a pontapés, assim como má sinalética e pouca segurança também. É certo que ninguém consegue prever acidentes destes, mas é sempre possível tentar evitar determinadas situações. Um concerto com pirotecnia precisaria de uma segurança ajustada, ou pelos menos, nunca deveria ter sido efectuado num espaço daquelas dimensões e fechado. E não é preciso ser-se muito esperto para perceber o porquê. O resultado ficou à vista.

E de quem é a culpa? Do dono sem alvará, do membro da banda que lançou os foguetes, dos fans da banda que aplaudem estas demonstrações de pirotecnia, da falsa sinalética, dos seguranças que não permitiram a evacuação imediata dos presentes sem antes efectuarem o seu pagamento... Uma coisa é certa, com ou sem culpados definidos, ninguém devolve aqueles que partiram às suas famílias nem consegue retroceder no tempo para evitar a situação. Esperemos é que esta história trágica sirva de lição a muitos estabelecimentos afim de se evitarem males como este ou piores.

domingo, 27 de janeiro de 2013

O dia devia ter 24 horas

Quem inventou o dia com 24 horas não sabia o que estava a fazer. Dividiu 12 horas para o dia, 12 horas para a noite e voilá, está despachado. Eu não sei quem foi o miserável que inventou isto, mas quase que aposto que não pertence à minha geração. Tem sorte por isso, acho que lhe fazia a folha.

Para mim o dia devia ter 24 horas. Não o dia total, mas sim o dia de luz solar. Depois até se podia juntar as 12 horas de luar, o que daria um resultado de 36 horas totais diárias, mas as contas faziam mais sentido deste modo. É que a luz do dia é indispensável para grande parte das actividades que se praticam na rua. E a luz do noite inevitável para que recuperemos o equilíbrio do nosso espírito. Por isso devia-se alterar o esquema das horas dos dias. E já agora o fuso horário também, não vá o mundo acabar um dia destes e depois morremos todos a horas diferentes.

Lá dizia o ditado: "dormir cedo e cedo erguer, dá saúde e faz crescer". Se calhar por isso é que não sou lá muito grande, devia ter dado um pouco de atenção aos antigos dizeres. Mas nunca gostei de dormir cedo, o cantar dos passarinhos pela manhã é que me costuma dar sono. É que durante a noite reina uma paz incrível e é quando me surge a inspiração e a vontade de fazer tudo e mais alguma coisa.

O problema é que gosto tanto do dia como gosto da noite. Por isso sou contra as pessoas dormirem à noite como opção preferencial. E é por isso que reclamo mais horas ao nosso dia, para que possa dormir no turno que quiser e ainda me restar tempo para fazer o que tenho a fazer.

Serei a única a pensar desta forma?