sábado, 10 de janeiro de 2015

Ataques terroristas em França: os factos

A notícia

Os três suspeitos do ataque terrorista ao jornal parisiense Charlie Hebdo foram hoje, pelas 17 horas de França, abatidos pelos policiais franceses, pondo término à principal ameaça terrorista que atormentou, por três dias, o país francês.
Previamente, os irmãos Said e Cheriff Kouachi entraram numa empresa gráfica, em Dammartin-en-Goële. Os irmãos entraram na gráfica afirmando serem polícias e alertaram a um comerciante que se encontrava no local para se ir embora, alegando que os próprios «não matariam civis». Contudo, acabaram por fazer um refém e durante as negociações de libertação da vítima, entre os criminosos e as forças policiais, os irmãos fizeram questam de manifestar o seu desejo em «morrer como mártires».
Enquanto isso, Amedy Coulibaly, o terceiro suspeito do atentado ao jornal, barrica-se num supermerdo judeu, no centro de Paris, fazendo vários reféns.
No decorrer das horas, as forças policiais estabeleceram contáctos com os sequestredores para libertarem as vítimas, e numa tentativa também, numa suposição da opinião pública, de capturá-los vivos. Os terroristas estabelecem ainda contácto com a rádio francesa BFM. Enquanto os irmãos confirmam que os seus actos estão de acordo com os seus mandários, a Al-Qaeda do Yémen, Coulibaly admite conhecer os Kouachi e exige a libertação destes.
Após horas de negociação, as forças de segurança aproveitam um canso e relaxamento de Coulibaly para agir e terminar com o cerco aos terroristas e resgatar os reféns. Os policiais franceses avançam então, simultaneamente, e fazem soar explosões e tiroteios entre os envolvidos. Os três suspeitos da morte de 12 jornalistas e 2 políciais em Paris, são oficialmente dados como mortos, assim como 3 reféns que estavam no supermercado.


Os comentários políticos

Após o desfecho ditado pelos oficiais franceses, que culminou na morte dos três terroristas envolvidos no ataque a Charlie Hebdo, fizeram-se ouvir as vozes políticas.
O primeiro ministro francês, François Hollande, confessou que existe uma «enorme falha de segurança» que se torna visível pelo número de mortes, e destacou a emergência em implementar medidas anti-terroristas no país.
Já o presidente dos Estados Unidos da América, Barack Obama, engrandeceu os esforçoes e acções da polícia francesa e alertou para a possibilidade de uma continuação de outros ataques terroristas.


A discussão sobre a legislação anti-terrorista na França

À luz dos primeiros ataques contra o jornal, a líder da extrema-direita, Marine Le Pen, aproveitou para falar à comunicação social. Le Pen afirmou querer reintruduzir a pena de morte e apelou ao voto dos eleitores para as próximas eleições presidenciais em 2016. A líder da Frente Nacional demonstrou ainda a sua vontade em abolir a nacionalidade dupla e fechar as fronteiras francesas à emigração.
O primeiro ministro François Hollande, por sua vez, aclamou internamente à necessidade de leis que regulamentem a segurança anti-terrorista de forma não xenófoba, e externamente ao encontro e debate político entre as principais vozes da Europa.


Investigações acerca dos suspeitos

As forças de inteligência dos EUA confirmaram hoje que um dos irmão Kouachi estava proíbido de entrar em terras americanas e que, de facto, este e muitos outros suspeitos de terrorismo, estavam sob observação já há algum tempo.
Os três suspeitos têm em comum a ligação uma célula jihadista muçulmana e, antes de morrerem, afirmaram ter sido financiados pela Al-Qaeda do Yémen. As forças de inteligência americanas afirmam que cada célula agrupa cerca de 10 membros, e conseguiram apurar que, ligados a esta célula jihadista estão ainda membros de nacionalidades holandesa e belga.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Entre a sapiência e a estupidez da liberdade de expressão

Nem sei por onde começar. O assunto, de tão estupido que é, torna-se ainda mais estúpido.
Um dia após o ataque mortal de Charlie Hebdo, jornal satírico frânces (referido no último artigo que postei), multiplicam-se as homenagens e mensagens de apoio às famílias das vítimas, ao povo francês, à actividade jornalística e, o mais importante, erguem-se vozes a favor da liberdade.

Volto a questionar neste artigo. Porque voltámos agora a questionar a liberdade?

Liberdade, como valor inquebrável e estrutura-base da humanidade das sociedades modernas e, ainda, direito constitucionalizado e um princípio da democracia. Não, não é só por causa do atentado terrorista que aconteceu ontem. E não, não é por causa da diferença de religiões, da nacionalidade dos cidadãos... É mesmo porque, e afinal de contas, a liberdade como a conhecemos ainda não está inteiramente a funcionar como todos gostaríamos. Ou alguns. Mas, o enraízamento da liberdade nas sociedades modernas está totalmente efectuado. Acontece que em algumas sociedades, que nós consideramos serem atrasadas, a liberdade consiste em poder matar quem se quiser. E o problema ainda não está aqui! O problema está no tipo de pensamento que a liberdade tornou possível e a resistência a este direito não permite a outras sociedades. Veja-se, por exemplo, o que se faz na China com o Google, cujo governo insiste em violar a liberdade de informação censurando os conteúdos que chegam aos seus cidadãos; no Vietname, com a violação da liberdade de expressar a religião praticante, pelo Partido Comunista do país; na Coreia do Norte, com a perseguição a quem expressar ideologias diferentes da ideologia vigente; e poderia continuar por aí a fora... E o mundo não se prontificou a solidarizar-se ou ajudar no que fosse preciso para apoiar aqueles que têm fome de liberdade, dentro das regras que não os permitem manifestar os seus ideais, e ainda dão a vida por aquilo que defendem e acreditam.

E enquanto surge o debate de opiniões, sobre a importância que a liberdade tem na vida diária de cada um de nós, eu fico estúpida ao perceber que muitos lutam pela liberdade até morrer e outros usufruem dessa liberdade para estupidifcar os outros.

E eis o meu espanto, quando vejo comentários às noticias que nos vão chegando. Frases sem nexo, em que, muitas dessas pessoas, eu quase que poderia afirmar que nem sabem o que estão a dizer ou a comentar quando afirmam que os muçulmanos estavam apenas a reivindicar liberdade de expressão. E ainda têm a lata de responder, a quem lhes faz ver o non-sense  da sua opinião, que "a culpa é das redes sociais que estupidificam as pessoas". Enfim, realmente tão estúpido que nem tem palavras... tem parágrafos, e com nervos, tão grandes que quase perco a noção entre liberdade de expressão e perda de consciência. Claro, os meus nervos ficam-se por aqui. Contra-argumento consoante aquilo que penso e acredito. O pensamento e a crença: exactamente aquilo que nos distingue! Precisamente aquilo que eu queria exemplificar para que vocês percebam o meu ponto de vista. Eu poderia, à luz dos acontecimentos de ontem, começar a coleccionar nomes e comentários e exterminar essas pessoas para que eu não tivesse de lidar mais com opiniões e pensamentos contrários aos meus (e estúpidos). Enfim... em que me ajudaria isso? E com que direito teria eu de terminar a vida de um outro ser humano como eu?

Então fiquei estupidificadamente solidária com a estupidez que as redes sociais tendem, hoje em dia, em estupidificar pessoas. E ainda em torná-las tão estupidificadamente estúpidas, ao ponto da estupidez natural não se comparar com a aberração da estúpidez construída através, do tempo e uso, das redes sociais. Talvez o melhor seja, estupidamente, acabar também com elas (entenda-se a estupidez da ironia), e assim a troca de argumentos se torne mais inteligente e menos estupidificada. É realmente estupidificante o que uma opinião de uma pessoa a pode estupidificar.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

O preço da luta pela liberdade de expressão

O jornal satírico Charlie Hebdo foi alvo de um tiroteio, esta manhã em Paris, França, que vitimou mortalmente dez jornalistas e dois polícias. O atentado ocorreu pelas 11h30 quando três homens encapuçados, armados com metrelhadoras, entraram na redacção do jornal e atiraram contra os jornalistas. Segundo o New York Times, o tiroteio, protagonizado por prezumíveis jihadistas, teve cinco minutos de duração e fuga imediata dos executantes. Uma das cartoonistas do jornal testemunha que o grupo a obrigou a digitar o código de entrada do edifício e se reivindicaram como pertencentes à al-Qaeda.

Chalie Hebdo já havia sido alvo de uma bomba que destruiu por completo a antiga sede do jornal. O jornal assumia-se como um orgão de comunicação social independete, de humor negro em matérias muito controversas como a religião, a política e os próprios media. Na origem dos ataques estão os almanaques criados e publicados pelo jornal de forma a ridicularizar os jihadistas. Em 2006, o jornal incluíu na sua capa uma banda desenhada de Mahomé em que o humor negro foi alvo de duras críticas e vista como uma ofensa à religião muçulmana.

O jornal, que pretendia ser visto como uma reacção libertária, encontra-se neste momento inactivo. François Holande, primeiro ministro da França, declarou publicamente tratar-se de um «acto terrorista» contra a liberdade de expressão e mandou reforçar a segurança de outras redacções no próprio país, sendo que alertou igualmente aos países vizinhos para efectuarem igualmente um reforço nas sedes dos meios de comunicação social.

O presidente dos Estados Unidos da América, Barack Obama, tornou público o seu apoio para com os ideais franceses de liberdade e disponibilizou «assistência para fazer justiça face aos terroristas». Também Angela Merkel, Chanceler da Alemanha, reiterou que o acto significou «não só um ataque à segurança» dos cidadãos franceses, como representou ainda «um ataque à liberdade de expressão e liberdade de imprensa, que consiste num elemento fundamental da cultura democrática.

Por todo o mundo, milhares de cidadãos, jornalistas e cartoonistas estão solidários com a perda das vítimas e manifestam-se agora pelo direito à liberdade de expressão.


Em Portugal, vemos claramente estes ideais descritos na Constituição Portuguesa:

- Direito à Integridade Pessoal;
- Direito à Liberdade e à Segurança;
- Liberdade de Expressão e Informação;
- Liberdade de Imprensa e Meios de Comunicação Social;
- Liberdade de Consciência, de Religião e de Culto;
- Liberdade de Criação Cultural.

Mas em que ponto estará o país assegurado e preparado contra a violação destes valores e a um atentado deste tipo?

O Inimigo Público, publicação portuguesa que mais se assemelha ao jornal francês referido, demonstrou-se solidária e satiriza a situação referindo que, «quando os três terroristas forem caçados, serão levados a um tribunal onde poderão usufruir do privilégio democrático da liberdade de expressão antes de saírem condenados».



A minha questão é a seguinte: Até quando a religião será motivo para matar?

Por todo o valor que a liberdade de expressão e liberdade de imprensa implicam, sublinho a minhas condolências com quem perdeu hoje a vida como preço da luta da reivindicação de um direito constitucional já adquirido e afirmo total convicção nos ideais de liberdade que a França representou e conquistou pioneiramente na sua Revolução, em 1789.

JE SUIS CHARLIE.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Como é visto o português no estrangeiro?

A emigração não é um fenómeno novo, mas nunca ouvimos falar tanto nesta questão como nos últimos anos. Entre os vários motivos que levam cidadãos de todos os cantos do mundo a deixarem o seu país, são as questões económicas e profissionais aquelas que predominam e caracterizam a vaga actual.

No estrangeiro, os "estrangeiros" são os nativos e os que vêm de fora são então os estrangeiros - os emigrantes. Locais onde se verifica maior aglomeração deste fenómeno são alvo de povoação do mesmo, ou nos seus arredores. E com isto se formam as comunidades emigrantes, gente do mesmo povo, com uma mesma cultura e tradição, que se reúne para habitar ou trabalhar naquele local.

Na hora de contratar, ser estrangeiro por vezes é um requisito ou condição bastante inquietante. A necessidade de mão-de-obra pelo patronato demonstra a falta de pessoal (com ou sem qualificações) em determinado sector laboral. Assim, as empresas procuram agências de trabalho temporário para lhes fornecer a mão-de-obra necessária e, claro, mais barata. Estas por sua vez, recrutam o pessoal estrangeiro, que se encontra previamente inscrito nas suas listas.

Entre tantas comunidades, a portuguesa distingue-se de todas as outras. Entre mitos e verdades, como é visto o português no estrangeiro na hora de contratar?

Do 8 ao 80, existem os que nos adoram e os que nos detestam. Nada de intermédio, pois somos diferentes demais para passarmos despercebidos. Os portugueses são vistos como o povo mais trabalhador da Europa, assim como o mais inteligente e astuto. Venham de lá os outros "estrangeiros", pois enquanto eles estão a começar já os portugueses terminaram. A rapidez, perfeição e técnica do português não se compara, e ai daquele que comparar, pois o português não admite tal coisa. Aliás, o português é um trabalhador tão perfeito que prefere realizar as tarefas sozinho para que outros não lhe venham estragar todo o trabalho realizado. Mas se trabalha em grupo, e não distingue o que é o local de trabalho do café da esquina, quando dá por isso está dentro de uma embrulhada, que nada tem a ver com o trabalho, mas que afecta as relações profissionais no dia-a-dia. É que o português tem a mania de falar demais e os patrões estrangeiros não gostam de maus ambientes no trabalho, nem tão pouco de ter que parar o trabalho de toda a equipa para desfazer um mal-entendido ou separar uma luta. Ainda que o português seja aquele mais falta faz na equipa, que mais produção realiza, que mais inovação trás à empresa, isso pode não significar nada.

Então, na hora de contratar, as empresas vão analisar quais são os factos que pesam mais na balança. E dependendo da capacidade de avaliação do recrutante, a grande benesse da dúvida irá perpetuar apenas uma coisa: a reputação do português como um ambicioso e excelente trabalhador, que fará a empresa progredir, ou o estigma do português como um colega intriguista e egocêntrico, que põe em causa a integridade e bom funcionamento da empresa.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Nelson Mandela 1918-2013



















Faleceu hoje, 5 de Dezembro de 2013, o herói da África do Sul, Nelson Mandela, ícone da democracia sul africana. Um homem inspirador: opositor do Apartheid, líder democrático e protector acérrimo dos direitos humanos.

Sem grandes palavras: uma perda insubstituível.

Deixo-vos o excelente discurso que marca o ponto de viragem na vida democrática do povo sul africano.


Nelson Mandela
Pretória
10 de Maio de 1994

"Chegou o momento de construir"

Hoje, através da nossa presença aqui e das celebrações que têm lugar noutras partes do nosso país e do mundo, conferimos glória e esperança à liberdade recém-conquistada.
Da experiência de um extraordinário desastre humano que durou demais, deve nascer uma sociedade da qual toda a humanidade se orgulhará.
Os nossos comportamentos diários como sul-africanos comuns devem dar azo a uma realidade sul-africana que reforce a crença da humanidade na justiça, fortaleça a sua confiança na nobreza da alma humana e alente as nossas esperanças de uma vida gloriosa para todos.
Devemos tudo isto a nós próprios e aos povos do mundo, hoje aqui tão bem representados.
Sem a menor hesitação, digo aos meus compatriotas que cada um de nós está tão intimamente enraizado no solo deste belo país como estão as célebres jacarandás de Pretória e as mimosas dobushveld.
De cada vez que tocamos no solo desta terra, experimentamos uma sensação de renovação pessoal. O clima da nação muda com as estações.
Uma sensação de alegria e euforia comove-nos quando a erva se torna verde e as flores desabrocham.
Esta união espiritual e física que partilhamos com esta pátria comum explica a profunda dor que trazíamos no nosso coração quando víamos o nosso país despedaçar-se num terrível conflito, quando o víamos desprezado, proscrito e isolado pelos povos do mundo, precisamente por se ter tornado a sede universal da perniciosa ideologia e prática do racismo e da opressão racial.
Nós, o povo sul-africano, sentimo-nos realizados pelo facto de a humanidade nos ter de novo acolhido no seu seio; por nós, proscritos até há pouco tempo, termos recebido hoje o privilégio de acolhermos as nações do mundo no nosso próprio território.
Agradecemos a todos os nossos distintos convidados internacionais por terem vindo tomar posse, juntamente com o nosso povo, daquilo que é, afinal, uma vitória comum pela justiça, pela paz e pela dignidade humana.
Acreditamos que continuarão a apoiar-nos à medida que enfrentarmos os desafios da construção da paz, da prosperidade, da democracia e da erradicação do sexismo e do racismo.
Apreciamos sinceramente o papel desempenhado pelas massas do nosso povo e pelos líderes das suas organizações democráticas políticas, religiosas, femininas, de juventude, profissionais, tradicionais e outras para conseguir este desenlace. O meu segundo vice-presidente o distinto F.W. de Klerk, é um dos mais eminentes.
Também gostaríamos de prestar homenagem às nossas forças de segurança, a todas as suas patentes, pelo destacado papel que desempenharam para garantir as nossas primeiras eleições democráticas e a transição para a democracia, protegendo-nos das forças sanguinárias que ainda se recusam a ver a luz.
Chegou o momento de sarar as feridas.
Chegou o momento de transpor os abismos que nos dividem.
Chegou o momento de construir.
Conseguimos finalmente a nossa emancipação política. Comprometemo-nos a libertar todo o nosso povo do continuado cativeiro da pobreza, das privações, do sofrimento, da discriminação sexual e de quaisquer outras.
Conseguimos dar os últimos passos em direcção à liberdade em condições de paz relativa. Comprometemo-nos a construir uma paz completa, justa e duradoura.
Triunfámos no nosso intento de implantar a esperança no coração de milhões de compatriotas. Assumimos o compromisso de construir uma sociedade na qual todos os sul-africanos, quer sejam negros ou brancos, possam caminhar de cabeça erguida, sem receios no coração, certos do seu inalienável direito a dignidade humana: uma nação arco-íris, em paz consigo própria e com o mundo.
Como símbolo do seu compromisso de renovar o nosso país, o novo governo provisório de Unidade Nacional abordará, com maior urgência, a questão da amnistia para várias categorias de pessoas que se encontram actualmente a cumprir penas de prisão.
Dedicamos o dia de hoje a todos os heróis e heroínas deste país e do resto do mundo que se sacrificaram de diversas formas e deram as suas vidas para que nós pudéssemos ser livres.
Os seus sonhos tornaram-se realidade. A sua recompensa é a liberdade.
Sinto-me simultaneamente humilde e elevado pela honra e privilégio que o povo da África do Sul me conferiu ao eleger-me primeiro Presidente de um governo unido, democrático, não racista e não sexista.
Mesmo assim, temos consciência de que o caminho para a liberdade não é fácil.
Sabemos muito bem que nenhum de nós pode ser bem-sucedido agindo sozinho.
Por conseguinte, temos que agir em conjunto, como um povo unido, pela reconciliação nacional, pela construção da nação, pelo nascimento de um novo mundo.
Que haja justiça para todos.
Que haja pás para todos.
Que haja trabalho, pão, água e sal para todos.
Que cada um de nós saiba que o seu corpo, a sua mente e a sua alma foram libertados para se realizarem.
Nunca, nunca e nunca mais voltará esta maravilhosa terra a experimentar a opressão de uns sobre os outros, nem a sofre a humilhação de ser a escória do mundo.
Que reine a liberdade.
O sol nunca se porá sobre um tão glorioso feito humano.
Que Deus abençoe África!

domingo, 1 de dezembro de 2013

Jovens emigrantes, voltem à «ditadura do literado»

A piada do dia vem directamente da boca do primeiro ministro português. Com afirmações dignas de um site de comédia, Passos Coelho fez um discurso de fazer os jovens morrer de tanto rir.

O primeiro ministro, Passos Coelho, afirmou hoje que os jovens são a peça-chave para o fim da crise portuguesa. Segundo o chefe do executivo, o governo "deposita nesta geração tão qualificada uma grande esperança para que as transformações no tecido social e económico que precisamos de fazer possam ser mais profundas do que aquelas que fizemos no passado".

Não deixa de ser irónico que o mesmo homem que há cerca de dois anos mandou os jovens emigrarem venha agora afirmar que os mesmos são a esperança para um país cada vez mais decadente em termos económicos.

É bom saber que o primeiro ministro reconhece as qualificações e competências desta nova geração que quis entrar no mercado de trabalho e se viu obrigado a emigrar por não ter condições para desempenhar a actividade profissional que estudou, nem uma outra qualquer. De qualquer forma, esse reconhecimento em nada altera as realidades profissionais dos jovens portugueses.

Passos Coelho afirma ainda que "as gerações mais jovens sabem hoje que, para poderem alcançar os mesmos níveis de realização e de prosperidade que os seus pais e avós, terão de se esforçar muito mais". Ninguém tem dúvidas disso. Para os que emigraram, essa conversa não faz qualquer sentido neste momento.

O discurso ocorreu na cerimónia da entrega dos prémios do Instituto Português de Juventude e Desporto a associações juvenis, no Palácio Foz, em Lisboa. "É natural que os mais jovens sintam uma angústia maior perante as actuais circunstâncias do país". 

Angústia não será a palavra indicada. No meu caso, diria mesmo tristeza pois um país riquíssimo em cultura, turismo, gastronomia, recursos naturais, etc... é uma lástima que se tenha deixado chegar a este estado. Portugal parece um país de terceiro mundo. Os jovens que emigraram e encontraram novos países onde desenvolver as suas actividades profissionais e onde já começaram a estabelecer uma nova vida, não pensam em voltar tão cedo. As oportunidades no estrangeiro não se comparam àquilo que o nosso país pode oferecer aos próprios jovens. 

Mas ainda assim, sr. primeiro ministro, diga lá de sua justiça então, e demonstre com exemplos práticos em que é que a "geração qualificada" pode ajudar(?), se é a "geração pós 25 de abril", que também estudou e passou por diversas dificuldades democrática, que está no poder e nada soube fazer para evitar todo o tipo de crises pelas quais o nosso país atravessa.

E já agora, como breve referência, celebra-se hoje, 1 de Dezembro, 343 anos da proclamação da independência face a Espanha. Um dia passado em branco, que deixou de ser feriado para que se evitasse as pontes da função pública e não se perdesse produtividade nacional. Sr. primeiro ministro, cuja sabedoria é possível verificar no certificado de licenciatura que possui, considera mesmo que os jovens emigrantes, que conhecem agora novas realidades e novas políticas sociais, voltariam para um Portugal mergulhado numa «ditadura do literado»?


Experiências e estatísticas nas redes




Actualmente, os autores de blogs de opinião conjugam as suas mensagens publicadas com posts nas redes sociais. Além de chegar a um número maior de leitores, os interessados podem até comentar e dar as suas opiniões. Deste modo, apostei numa página de facebook para partilhar os conteúdos que vou escrevendo no meu blog. Pareceu-me interessante dar a conhecer algumas informações e pensamentos a um público que nem sempre partilha da mesma opinião. O debate de ideias é algo que me seduz. Parti, então, para um género de um debate para testar as funcionalidades da minha página, obter novos comentários e poder, ao mesmo tempo, analisar as reacções deste meu público no blog, perante o número de visualizações que fui recebendo com este pequeno teste.


Assim sendo, nos passados dias 21 e 22 de Novembro, coloquei uma série de questões na página de facebook do blog I Am Your Leader.

  • Questão 1: Merkel vai estabelecer ordenado mínimo na Alemanha. Fala-se num montante, ainda não oficial, de 8.50€ à hora. O que pensa sobre isto? 
  • Questão 2: O Google Maps é um serviço de pesquisa que permite o acesso a imagens de satélite de todo o planeta via web. Como utilizador, quais são os pontos positivos e/ou negativos deste serviço?
  • Questão 3: O governo português quer proibir o consumo de tabaco em todos os estabelecimentos públicos. Qual é a sua opinião sobre esta medida?
  • Questão 4: O Natal está a chegar, mas a crise mantém-se. Na sua opinião, como podem os portugueses contornar as dificuldades económicas na época natalícia?
  • Questão 5: A igualdade de tratamento no local de trabalho é um direito de todos os trabalhadores. Embora situações de discriminação (quanto à idade, sexo, orientação sexual, estado civil, raça, religião, convicção ideológica, ...) aconteçam diariamente, a maior parte não chega a ser denunciada. Directa ou indirectamente, as práticas discriminatórias são puníveis por lei. Na sua opinião, considera Portugal como um país que zela pela igualdade de tratamento?
  • Questão 6: No desporto profissional, a decisão final de uma situação polémica em campo cabe sempre ao árbitro principal e seus assistentes. Porém, muitos são os casos em que a posição da arbitragem não permite visualizar o lance em pormenor. Considera que as imagens televisivas deveriam ser utilizadas para anular decisões erróneas?

As perguntas, conforme podem confirmar, tiveram como base questões da actualidade.


A reter desta experiência: O resultado foi positivo. Embora não tenha tido muita afluência de comentários, as questões acima mencionadas obtiveram um nível elevadíssimo de visualizações. O facto das visualizações não se terem convertido em "vontade de opinar" já consiste num outro patamar que devo analisar e saber dominar melhor para a próxima iniciativa.