Quem é Shiloh? Shiloh é nada mais, nada menos, do que uma filha de Angelina Jolie e Brad Pitt. Dos seis filhos do casal, Shiloh é a primeira criança biológica. Angelina e Brad têm 3 filhos adoptados e 3 filhos biológicos. Shiloh nasceu a 27 de Maio de 2006, em Namíbia. E, sem ser o facto de ser filha de pais famosos, talvez nunca fossemos ouvir falar dela.
Contudo, no mês passado os pais de Shiloh vieram publicamente pedir a todos que esquecessem o seu nome, e a começassem a tratar por John. John, que é um nome masculino e, portanto, tudo se torna confuso para algumas pessoas. Segundo o casal confirmou, Shiloh não quer ser tratada por esse nome e nem sequer o reconhece como sendo ela própria. Na verdade, Shiloh exige ser chamada por John, assim como é de sua preferência vestir roupas e fazer penteados de menino. Ou seja, Shiloh nasceu menina, mas desde muito cedo que sente ser um menino. Então pediu aos pais que a tratassem deste modo. O pedido foi aceite e foi também divulgado para que toda a gente deixa-se de olhar para ela como sendo uma menina, mas sim um menino.
Então John, o menino de quem estou a falar, é loiro e tem uns lindos olhos azuis, meio acinzentados. Nasceu menina, mas desde os três anos que revela gostar de se vestir com a roupa dos seus irmãos. De facto, quando Angelina o chamava de Shiloh, ele reiterava imediatamente ser John. A avó paterna, Jane Pitt, não gostava da maneira como a criança se vestia e, então, tentava convencê-la a vestir-se de modo diferente, comprando-lhe vestidos de princesas e de fadas. Angelina não gostava da persistência da sogra, irritando-se com as suas atitudes e demonstrando aos seus filhos que eles poderiam ser quem quisessem ser. E, assim, com respeito e compreensão, apercebendo-se que não se tratava apenas de uma fase, o casal Jolie e Pitt resolveu demonstrar em público como se deve lidar com uma situação tão delicada e séria deste género, dando o exemplo do seu filho.
Há algum tempo atrás, escrevi aqui um artigo sobre o facto do país alemão dar a hipótese de registar os bebés recém nascidos sem identificar o sexo. (ver artigo: Alemanha regista bebés com "sexo indefinido". No entanto, no caso de John que foi registado como sendo uma menina, terá de esperar muito provavelmente até à idade adulta para poder alterar a sua identificação legalmente e, se assim for o seu desejo, como parece que é, avançar com todos os procedimentos de modificação hormonal. Contudo, segundo refere uma psicóloga ao Telegraph, ainda que a criança se identifique com o género oposto, esta pode vir a identificar-se como trangénero ou explorar os dois géneros. E o mais importante nesta situação, e em todas as outras que possam existir no mundo, é a aceitação da criança como ela é, dando-lhe a liberdade de ser o que quiser e poder explorar a sua sexualidade.
A identidade de género é a percepção que a pessoa tem de si própria. Transgénero é a identidade de género utilizada pelas pessoas que não se identificam com o género com que nasceram ou que se identificam com ambos. Ou seja, o sexo biológico ou genital não coincide com a realidade dos desejos, pensamentos e acções de alguém.
A título de exemplo, em 2012, na Argentina, foi decretada uma lei pioneira que garante a alteração do nome, sexo, fotografia e documentos de identificação para qualquer pessoa que, com mais de 18 anos, considere ter um género diferente daquele que apresenta na sua certidão de nascimento. Para isso, basta apenas autodeterminação do próprio indivíduo. Um pouco antes, ainda no governo de Sócrates, também se discutia um projecto de lei sobre a identidade de género, que a 16 de março de 2011, passaria a reconhecer este direito aos transgéneros portugueses. A nova lei portuguesa previa, assim, a apresentação de um relatório médico assinado por dois profissionais da área da saúde, exigido por lei, e um requerimento em que o próprio indivíduo declare a sua intenção na alteração de género. No próximo dia 14 de janeiro de 2015, a Assembleida da República irá debater sobre a introdução da identidade de género no Código do Trabalho de forma a garantir também que a legislação proteja todas as pessoas «trans» no local de trabalho.
Pode ser que num futuro bem próximo, tenhamos mais conhecimento de outros Johns que estão por aí, felizes pela sua identidade de género modificada ou reconhecida, sem preconceitos, sem discriminação e com todo o amor e apoio das suas famílias. O importante é acreditar, dar o exemplo e continuar a lutar pelos direitos humanos de quem não pediu para se deparar com uma natureza diferente da sua ou com o julgamento dos que não entendem os seus pensamentos e desejos.
terça-feira, 13 de janeiro de 2015
Eu sou John Jolie-Pitt
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A propagação eminente da violência no mundo
No dia 11 de janeiro, França foi a capital do mundo. A manifestação em prol da liberdade de expressão e solidariedade para com os jornalistas assassinados do jornal satírico Charlie Hebdo obteve uma adesão histórica. Entre as 200 mil pessoas presentes, estiveram também líderes políticos mundiais, que se tinham reunido momentos antes para debater os desafios que estes massacres trouxeram para a Europa. O combate ao terrorismo e ao medo como forma de repressão consistiram nas palavras de ordem do movimento que foi transmitido por toda a comunicação social internacional.
Mas França não foi o único local de massacre da semana que passou. Também na Nigéria, os militares de Boko Haram, conseguiram levar a cabo um acto brutal, através de uma criança-bomba de apenas dez anos, que culminou em centenas de mortos. Em Aceh, Indonésia, uma mulher de 21 anos foi condenada em 200 chicoteadas e seis meses de prisão por alegado adultério. A rapariga, de 19 anos na altura, foi violada 14 vezes por um grupo de sete homens, como um género de punição por esta ter conduzido sozinha com um homem no carro que não era o seu cônjugue. As violações foram vistas pelos sauditas como uma acção justa e merecedora e, entretanto sabe-se publicamente que o advogado que defendia os direitos desta mulher foi suspenso do caso. Dois anos após ter sido violentada, chega agora a sentença judicial de todos os arguidos: o homem que estava com ela foi condenado a 6 anos de prisão e os agressores obtiveram penas entre os 2 e 9 anos de prisão. Também na Arábia Saudita, um blogger que viu o seu apoio à liberdade de expressão ser reconhecido internacionalmente foi detido. Raif Badawi foi condenado a 10 anos de prisão e mil chicoteadas por defender "pensamentos liberais" e insultar o islão.
A intolerância praticada por grupos dos países árabes já não é, infelizmente, novidade nenhuma. Contudo, a multiplicação destes actos bárbaros tem sido mais divulgada pela comunicação social e debatida pela opinião pública. O facto de as pessoas terem acesso a este tipo de informações tornou-se muito importante para a aprendizagem e conhecimento de outras realidades, não tão distantes das nossas, onde todos os dias são cometidos crimes humanos deste género.
A denunciar o fundamentalismo islâmico insurge-se também o papa Francisco, que afirma ser uma "forma desviante de religião". O líder da igreja católica evidencia a propagação destas ideologias como forma justificativa de prepetuar este tipo de massacres violentos, como os que ocorrem com o jornal satírico Charlie Hebdo. O Papa debruça-se ainda sobre as questões de violência, referidas nos parágrafos acima, e não só considera como "abominável" o rapto e escravatura de jovens raparigas por militares de Boko Haram, Nigéria, como também condena, com «brutal inexplicação», a imperdoável tortura submetida a crianças pelos talibãs, no Paquistão. Além dos massacres ocorridos a semana passada, a figura máxima do Vaticano, alerta ainda para a "escravatura" ideológica por todo o mundo, através do uso da violência, e faz ainda uma pequena referência para a necessidade de um "cuidado, atenção e protecção" especiais aos refugiados cubanos que se estão a mover para os Estados Unidos da América.
O movimento "Je suis Charlie", que dá voz à liberdade de expressão e informação pelos jornalistas assassinados em Paris, continua. Hoje, foi divulgada aquela que será a primeira página do jornal Charlie Hebdo, que mantém as suas funções na sede do jornal Libération. Mais uma vez, surge o profeta Mahomé com uma placa entre mãos em que afirma que também ele é Charlie, enquanto se pode ler na manchete "tudo é perdoável". A figura religiosa, "proíbida de representar", aparece ainda com uma lágrima, demonstrando-se triste pelos acontecimentos levados a cabo em seu nome. Entretanto, a Al-Qaeda do Magreb já veio anunciar que vão ser efectuados mais ataques terroristas em França por estes continuarem a insultar o Islão e o profeta Mahomé, assim como exigiu também a retirada das tropas francesas do Mali, República Africana, Iraque e Síria. Na lista de possíveis locais-alvo de terrorismo divulgados encontram-se ainda Espanha, Inglaterra, Holanda, Suécia, Rússia e outros estados da América.
A propagação do medo pela Al-Qaeda e o "not afraid" dos Franceses não está a ajudar no melhoramento das relações entre os envolvidos. Por um lado, o uso do terror como forma de espalhar o fundamentalismo islão. Por outro, a reiteração de um valor e direito civilizacional que pretende dar voz a toda e qualquer opinião. Quando e como é que isto vai acabar?, perguntamos todos nós, ao perceber que esta é uma questão além fronteiras. Muitos de nós, inclusive eu, acreditamos que esta ameaça aos valores da liberdade pode vir a culminar numa terceira guerra mundial. A Europa já tentou intervir noutros locais e noutros continentes, e o balanço que podemos daí retirar são alguns sucessos e muitas mortes, e agora os mesmo agressores retornam, através das acções de nativos europeus que absorveram as ideologias do Islão, para atacar os que tentaram travar as suas acções. Então torna-se legítimo perguntar: em que ponto estará a Europa preparada para enfrentar o terrorismo que não conseguiu travar noutros países?
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sábado, 10 de janeiro de 2015
O renascer das ideologias políticas extremistas
Pena de morte, encerramento das fronteiras e nacionalidade única
A França foi um dos últimos países europeus a abolir a pena de morte. A abolição foi constitucionalizada em 1981, embora hoje em dia ainda exista uma grande parte da população francesa que concordaria com a anulação desta lei. A pena capital foi referida recentemente por Marine Le Pen, líder da extrema-direita francesa pela Frente Nacional, como a grande resposta às actividades terroristas futuras.
Os ataques terroristas em França alimentaram, então, a visão extremista de Le Pen e acenderam o diálogo sobre a pena de morte.
Marine Le Pen defende também que o encerramento das fronteiras permite o controlo da comunidade francesa. De uma forma clara, Le Pen quer interditar saídas e entradas no país, como forma de evitar não só actos radicais como os ocorridos esta semana, como evitar também a entrada de comunidades emigrantes no território francês.
Aliás, à luz da sua intenção de abolir ainda a nacionalidade dupla, os cidadãos teriam que escolher qual a nacionalidade que pretendem representar e, consequentemente, perder os direitos que acumulam.
Os países europeus condenaram os actos terroristas praticados pelos jihadistas radicais. Nós sabemos que eles agiram em conformidade com os seus propósitos fanático-religiosos e políticos contra as blasfémias da grande liberdade ocidental. E assim, Le Pen sugere simplesmente retribuir com a mesma moeda: pena de morte. Então... serei só eu a julgar que Le Pen é tão radical quanto os jihadistas que aterrorizaram o estado democrático que ela defende? É que do ponto de vista da clareza de ideias e ideais, não sei quem se acha mais lúcido nesta temática.
A abordagem da pena de morte só demonstra que a líder da extrema-direita prevê um futuro totalitário e fascista para a França. E entre as demências dos jihadistas e a visão xenófoba desta senhora, se eventualmente ela conseguir vencer as eleições presidenciais em 2016, eu só consigo prever um futuro ainda mais obscuro para o país francês: pânico social; descredibilização total das classes políticas e submissão a uma única ideologia; e, claro, um retrocesso profundo em termos civilizacionais e humanos, já para não falar das saídas obrigatórias da França como estado-membro da União Europeia e do Conselho Europeu.
É claro que eu dúvido que este cenário se torne realidade. No entanto, é urgente que François Hollande adopte uma posição bastante justa face às necessidades que o seu país apresenta, contando que o primeiro ministro consiga dar a volta a esta crise de segurança que, a não parar por aqui, trará também uma crise social ao país. A comparação entre actos criminais isolados e actos terroristas deliberados poderá vir a ser muito perigosa a curto e longo prazo, assim como a generalização entre comunidades e etnias.
Esta é ainda a grande oportunidade para François Hollande fazer da França, mais uma vez, o modelo a seguir em termos legislativos para toda a Europa e aproveitar o agora para afastar das intenções de voto a sua alternativa, grande concorrente: a extrema-direita. Para isso, Hollande deve proteger os ideais republicanos de liberdade e igualdade contra a tentativa de usurpação, interna e externa, em termos ideológicos e religiosos, do poder democrático.
A França foi um dos últimos países europeus a abolir a pena de morte. A abolição foi constitucionalizada em 1981, embora hoje em dia ainda exista uma grande parte da população francesa que concordaria com a anulação desta lei. A pena capital foi referida recentemente por Marine Le Pen, líder da extrema-direita francesa pela Frente Nacional, como a grande resposta às actividades terroristas futuras.
Os ataques terroristas em França alimentaram, então, a visão extremista de Le Pen e acenderam o diálogo sobre a pena de morte.
Marine Le Pen defende também que o encerramento das fronteiras permite o controlo da comunidade francesa. De uma forma clara, Le Pen quer interditar saídas e entradas no país, como forma de evitar não só actos radicais como os ocorridos esta semana, como evitar também a entrada de comunidades emigrantes no território francês.
Aliás, à luz da sua intenção de abolir ainda a nacionalidade dupla, os cidadãos teriam que escolher qual a nacionalidade que pretendem representar e, consequentemente, perder os direitos que acumulam.
Os países europeus condenaram os actos terroristas praticados pelos jihadistas radicais. Nós sabemos que eles agiram em conformidade com os seus propósitos fanático-religiosos e políticos contra as blasfémias da grande liberdade ocidental. E assim, Le Pen sugere simplesmente retribuir com a mesma moeda: pena de morte. Então... serei só eu a julgar que Le Pen é tão radical quanto os jihadistas que aterrorizaram o estado democrático que ela defende? É que do ponto de vista da clareza de ideias e ideais, não sei quem se acha mais lúcido nesta temática.
A abordagem da pena de morte só demonstra que a líder da extrema-direita prevê um futuro totalitário e fascista para a França. E entre as demências dos jihadistas e a visão xenófoba desta senhora, se eventualmente ela conseguir vencer as eleições presidenciais em 2016, eu só consigo prever um futuro ainda mais obscuro para o país francês: pânico social; descredibilização total das classes políticas e submissão a uma única ideologia; e, claro, um retrocesso profundo em termos civilizacionais e humanos, já para não falar das saídas obrigatórias da França como estado-membro da União Europeia e do Conselho Europeu.
É claro que eu dúvido que este cenário se torne realidade. No entanto, é urgente que François Hollande adopte uma posição bastante justa face às necessidades que o seu país apresenta, contando que o primeiro ministro consiga dar a volta a esta crise de segurança que, a não parar por aqui, trará também uma crise social ao país. A comparação entre actos criminais isolados e actos terroristas deliberados poderá vir a ser muito perigosa a curto e longo prazo, assim como a generalização entre comunidades e etnias.
Esta é ainda a grande oportunidade para François Hollande fazer da França, mais uma vez, o modelo a seguir em termos legislativos para toda a Europa e aproveitar o agora para afastar das intenções de voto a sua alternativa, grande concorrente: a extrema-direita. Para isso, Hollande deve proteger os ideais republicanos de liberdade e igualdade contra a tentativa de usurpação, interna e externa, em termos ideológicos e religiosos, do poder democrático.
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Ataques terroristas em França: os factos
A notícia
Os três suspeitos do ataque terrorista ao jornal parisiense Charlie Hebdo foram hoje, pelas 17 horas de França, abatidos pelos policiais franceses, pondo término à principal ameaça terrorista que atormentou, por três dias, o país francês.
Previamente, os irmãos Said e Cheriff Kouachi entraram numa empresa gráfica, em Dammartin-en-Goële. Os irmãos entraram na gráfica afirmando serem polícias e alertaram a um comerciante que se encontrava no local para se ir embora, alegando que os próprios «não matariam civis». Contudo, acabaram por fazer um refém e durante as negociações de libertação da vítima, entre os criminosos e as forças policiais, os irmãos fizeram questam de manifestar o seu desejo em «morrer como mártires».
Enquanto isso, Amedy Coulibaly, o terceiro suspeito do atentado ao jornal, barrica-se num supermerdo judeu, no centro de Paris, fazendo vários reféns.
No decorrer das horas, as forças policiais estabeleceram contáctos com os sequestredores para libertarem as vítimas, e numa tentativa também, numa suposição da opinião pública, de capturá-los vivos. Os terroristas estabelecem ainda contácto com a rádio francesa BFM. Enquanto os irmãos confirmam que os seus actos estão de acordo com os seus mandários, a Al-Qaeda do Yémen, Coulibaly admite conhecer os Kouachi e exige a libertação destes.
Após horas de negociação, as forças de segurança aproveitam um canso e relaxamento de Coulibaly para agir e terminar com o cerco aos terroristas e resgatar os reféns. Os policiais franceses avançam então, simultaneamente, e fazem soar explosões e tiroteios entre os envolvidos. Os três suspeitos da morte de 12 jornalistas e 2 políciais em Paris, são oficialmente dados como mortos, assim como 3 reféns que estavam no supermercado.
Os comentários políticos
Após o desfecho ditado pelos oficiais franceses, que culminou na morte dos três terroristas envolvidos no ataque a Charlie Hebdo, fizeram-se ouvir as vozes políticas.
O primeiro ministro francês, François Hollande, confessou que existe uma «enorme falha de segurança» que se torna visível pelo número de mortes, e destacou a emergência em implementar medidas anti-terroristas no país.
Já o presidente dos Estados Unidos da América, Barack Obama, engrandeceu os esforçoes e acções da polícia francesa e alertou para a possibilidade de uma continuação de outros ataques terroristas.
A discussão sobre a legislação anti-terrorista na França
À luz dos primeiros ataques contra o jornal, a líder da extrema-direita, Marine Le Pen, aproveitou para falar à comunicação social. Le Pen afirmou querer reintruduzir a pena de morte e apelou ao voto dos eleitores para as próximas eleições presidenciais em 2016. A líder da Frente Nacional demonstrou ainda a sua vontade em abolir a nacionalidade dupla e fechar as fronteiras francesas à emigração.
O primeiro ministro François Hollande, por sua vez, aclamou internamente à necessidade de leis que regulamentem a segurança anti-terrorista de forma não xenófoba, e externamente ao encontro e debate político entre as principais vozes da Europa.
Investigações acerca dos suspeitos
As forças de inteligência dos EUA confirmaram hoje que um dos irmão Kouachi estava proíbido de entrar em terras americanas e que, de facto, este e muitos outros suspeitos de terrorismo, estavam sob observação já há algum tempo.
Os três suspeitos têm em comum a ligação uma célula jihadista muçulmana e, antes de morrerem, afirmaram ter sido financiados pela Al-Qaeda do Yémen. As forças de inteligência americanas afirmam que cada célula agrupa cerca de 10 membros, e conseguiram apurar que, ligados a esta célula jihadista estão ainda membros de nacionalidades holandesa e belga.
Os três suspeitos do ataque terrorista ao jornal parisiense Charlie Hebdo foram hoje, pelas 17 horas de França, abatidos pelos policiais franceses, pondo término à principal ameaça terrorista que atormentou, por três dias, o país francês.
Previamente, os irmãos Said e Cheriff Kouachi entraram numa empresa gráfica, em Dammartin-en-Goële. Os irmãos entraram na gráfica afirmando serem polícias e alertaram a um comerciante que se encontrava no local para se ir embora, alegando que os próprios «não matariam civis». Contudo, acabaram por fazer um refém e durante as negociações de libertação da vítima, entre os criminosos e as forças policiais, os irmãos fizeram questam de manifestar o seu desejo em «morrer como mártires».
Enquanto isso, Amedy Coulibaly, o terceiro suspeito do atentado ao jornal, barrica-se num supermerdo judeu, no centro de Paris, fazendo vários reféns.
No decorrer das horas, as forças policiais estabeleceram contáctos com os sequestredores para libertarem as vítimas, e numa tentativa também, numa suposição da opinião pública, de capturá-los vivos. Os terroristas estabelecem ainda contácto com a rádio francesa BFM. Enquanto os irmãos confirmam que os seus actos estão de acordo com os seus mandários, a Al-Qaeda do Yémen, Coulibaly admite conhecer os Kouachi e exige a libertação destes.
Após horas de negociação, as forças de segurança aproveitam um canso e relaxamento de Coulibaly para agir e terminar com o cerco aos terroristas e resgatar os reféns. Os policiais franceses avançam então, simultaneamente, e fazem soar explosões e tiroteios entre os envolvidos. Os três suspeitos da morte de 12 jornalistas e 2 políciais em Paris, são oficialmente dados como mortos, assim como 3 reféns que estavam no supermercado.
Os comentários políticos
Após o desfecho ditado pelos oficiais franceses, que culminou na morte dos três terroristas envolvidos no ataque a Charlie Hebdo, fizeram-se ouvir as vozes políticas.
O primeiro ministro francês, François Hollande, confessou que existe uma «enorme falha de segurança» que se torna visível pelo número de mortes, e destacou a emergência em implementar medidas anti-terroristas no país.
Já o presidente dos Estados Unidos da América, Barack Obama, engrandeceu os esforçoes e acções da polícia francesa e alertou para a possibilidade de uma continuação de outros ataques terroristas.
A discussão sobre a legislação anti-terrorista na França
À luz dos primeiros ataques contra o jornal, a líder da extrema-direita, Marine Le Pen, aproveitou para falar à comunicação social. Le Pen afirmou querer reintruduzir a pena de morte e apelou ao voto dos eleitores para as próximas eleições presidenciais em 2016. A líder da Frente Nacional demonstrou ainda a sua vontade em abolir a nacionalidade dupla e fechar as fronteiras francesas à emigração.
O primeiro ministro François Hollande, por sua vez, aclamou internamente à necessidade de leis que regulamentem a segurança anti-terrorista de forma não xenófoba, e externamente ao encontro e debate político entre as principais vozes da Europa.
Investigações acerca dos suspeitos
As forças de inteligência dos EUA confirmaram hoje que um dos irmão Kouachi estava proíbido de entrar em terras americanas e que, de facto, este e muitos outros suspeitos de terrorismo, estavam sob observação já há algum tempo.
Os três suspeitos têm em comum a ligação uma célula jihadista muçulmana e, antes de morrerem, afirmaram ter sido financiados pela Al-Qaeda do Yémen. As forças de inteligência americanas afirmam que cada célula agrupa cerca de 10 membros, e conseguiram apurar que, ligados a esta célula jihadista estão ainda membros de nacionalidades holandesa e belga.
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quinta-feira, 8 de janeiro de 2015
Entre a sapiência e a estupidez da liberdade de expressão
Volto a questionar neste artigo. Porque voltámos agora a questionar a liberdade?
Liberdade, como valor inquebrável e estrutura-base da humanidade das sociedades modernas e, ainda, direito constitucionalizado e um princípio da democracia. Não, não é só por causa do atentado terrorista que aconteceu ontem. E não, não é por causa da diferença de religiões, da nacionalidade dos cidadãos... É mesmo porque, e afinal de contas, a liberdade como a conhecemos ainda não está inteiramente a funcionar como todos gostaríamos. Ou alguns. Mas, o enraízamento da liberdade nas sociedades modernas está totalmente efectuado. Acontece que em algumas sociedades, que nós consideramos serem atrasadas, a liberdade consiste em poder matar quem se quiser. E o problema ainda não está aqui! O problema está no tipo de pensamento que a liberdade tornou possível e a resistência a este direito não permite a outras sociedades. Veja-se, por exemplo, o que se faz na China com o Google, cujo governo insiste em violar a liberdade de informação censurando os conteúdos que chegam aos seus cidadãos; no Vietname, com a violação da liberdade de expressar a religião praticante, pelo Partido Comunista do país; na Coreia do Norte, com a perseguição a quem expressar ideologias diferentes da ideologia vigente; e poderia continuar por aí a fora... E o mundo não se prontificou a solidarizar-se ou ajudar no que fosse preciso para apoiar aqueles que têm fome de liberdade, dentro das regras que não os permitem manifestar os seus ideais, e ainda dão a vida por aquilo que defendem e acreditam.
E enquanto surge o debate de opiniões, sobre a importância que a liberdade tem na vida diária de cada um de nós, eu fico estúpida ao perceber que muitos lutam pela liberdade até morrer e outros usufruem dessa liberdade para estupidifcar os outros.
E eis o meu espanto, quando vejo comentários às noticias que nos vão chegando. Frases sem nexo, em que, muitas dessas pessoas, eu quase que poderia afirmar que nem sabem o que estão a dizer ou a comentar quando afirmam que os muçulmanos estavam apenas a reivindicar liberdade de expressão. E ainda têm a lata de responder, a quem lhes faz ver o non-sense da sua opinião, que "a culpa é das redes sociais que estupidificam as pessoas". Enfim, realmente tão estúpido que nem tem palavras... tem parágrafos, e com nervos, tão grandes que quase perco a noção entre liberdade de expressão e perda de consciência. Claro, os meus nervos ficam-se por aqui. Contra-argumento consoante aquilo que penso e acredito. O pensamento e a crença: exactamente aquilo que nos distingue! Precisamente aquilo que eu queria exemplificar para que vocês percebam o meu ponto de vista. Eu poderia, à luz dos acontecimentos de ontem, começar a coleccionar nomes e comentários e exterminar essas pessoas para que eu não tivesse de lidar mais com opiniões e pensamentos contrários aos meus (e estúpidos). Enfim... em que me ajudaria isso? E com que direito teria eu de terminar a vida de um outro ser humano como eu?
Então fiquei estupidificadamente solidária com a estupidez que as redes sociais tendem, hoje em dia, em estupidificar pessoas. E ainda em torná-las tão estupidificadamente estúpidas, ao ponto da estupidez natural não se comparar com a aberração da estúpidez construída através, do tempo e uso, das redes sociais. Talvez o melhor seja, estupidamente, acabar também com elas (entenda-se a estupidez da ironia), e assim a troca de argumentos se torne mais inteligente e menos estupidificada. É realmente estupidificante o que uma opinião de uma pessoa a pode estupidificar.
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quarta-feira, 7 de janeiro de 2015
O preço da luta pela liberdade de expressão
O jornal satírico Charlie Hebdo foi alvo de um tiroteio, esta manhã em Paris, França, que vitimou mortalmente dez jornalistas e dois polícias. O atentado ocorreu pelas 11h30 quando três homens encapuçados, armados com metrelhadoras, entraram na redacção do jornal e atiraram contra os jornalistas. Segundo o New York Times, o tiroteio, protagonizado por prezumíveis jihadistas, teve cinco minutos de duração e fuga imediata dos executantes. Uma das cartoonistas do jornal testemunha que o grupo a obrigou a digitar o código de entrada do edifício e se reivindicaram como pertencentes à al-Qaeda.Chalie Hebdo já havia sido alvo de uma bomba que destruiu por completo a antiga sede do jornal. O jornal assumia-se como um orgão de comunicação social independete, de humor negro em matérias muito controversas como a religião, a política e os próprios media. Na origem dos ataques estão os almanaques criados e publicados pelo jornal de forma a ridicularizar os jihadistas. Em 2006, o jornal incluíu na sua capa uma banda desenhada de Mahomé em que o humor negro foi alvo de duras críticas e vista como uma ofensa à religião muçulmana.
O jornal, que pretendia ser visto como uma reacção libertária, encontra-se neste momento inactivo. François Holande, primeiro ministro da França, declarou publicamente tratar-se de um «acto terrorista» contra a liberdade de expressão e mandou reforçar a segurança de outras redacções no próprio país, sendo que alertou igualmente aos países vizinhos para efectuarem igualmente um reforço nas sedes dos meios de comunicação social.
O presidente dos Estados Unidos da América, Barack Obama, tornou público o seu apoio para com os ideais franceses de liberdade e disponibilizou «assistência para fazer justiça face aos terroristas». Também Angela Merkel, Chanceler da Alemanha, reiterou que o acto significou «não só um ataque à segurança» dos cidadãos franceses, como representou ainda «um ataque à liberdade de expressão e liberdade de imprensa, que consiste num elemento fundamental da cultura democrática.
Por todo o mundo, milhares de cidadãos, jornalistas e cartoonistas estão solidários com a perda das vítimas e manifestam-se agora pelo direito à liberdade de expressão.
Em Portugal, vemos claramente estes ideais descritos na Constituição Portuguesa:
- Direito à Integridade Pessoal;
- Direito à Liberdade e à Segurança;
- Liberdade de Expressão e Informação;
- Liberdade de Imprensa e Meios de Comunicação Social;
- Liberdade de Consciência, de Religião e de Culto;
- Liberdade de Criação Cultural.
Mas em que ponto estará o país assegurado e preparado contra a violação destes valores e a um atentado deste tipo?
O Inimigo Público, publicação portuguesa que mais se assemelha ao jornal francês referido, demonstrou-se solidária e satiriza a situação referindo que, «quando os três terroristas forem caçados, serão levados a um tribunal onde poderão usufruir do privilégio democrático da liberdade de expressão antes de saírem condenados».
A minha questão é a seguinte: Até quando a religião será motivo para matar?
Por todo o valor que a liberdade de expressão e liberdade de imprensa implicam, sublinho a minhas condolências com quem perdeu hoje a vida como preço da luta da reivindicação de um direito constitucional já adquirido e afirmo total convicção nos ideais de liberdade que a França representou e conquistou pioneiramente na sua Revolução, em 1789.
JE SUIS CHARLIE.
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quarta-feira, 24 de setembro de 2014
Como é visto o português no estrangeiro?
A emigração não é um fenómeno novo, mas nunca ouvimos falar tanto nesta questão como nos últimos anos. Entre os vários motivos que levam cidadãos de todos os cantos do mundo a deixarem o seu país, são as questões económicas e profissionais aquelas que predominam e caracterizam a vaga actual.
No estrangeiro, os "estrangeiros" são os nativos e os que vêm de fora são então os estrangeiros - os emigrantes. Locais onde se verifica maior aglomeração deste fenómeno são alvo de povoação do mesmo, ou nos seus arredores. E com isto se formam as comunidades emigrantes, gente do mesmo povo, com uma mesma cultura e tradição, que se reúne para habitar ou trabalhar naquele local.
Na hora de contratar, ser estrangeiro por vezes é um requisito ou condição bastante inquietante. A necessidade de mão-de-obra pelo patronato demonstra a falta de pessoal (com ou sem qualificações) em determinado sector laboral. Assim, as empresas procuram agências de trabalho temporário para lhes fornecer a mão-de-obra necessária e, claro, mais barata. Estas por sua vez, recrutam o pessoal estrangeiro, que se encontra previamente inscrito nas suas listas.
Entre tantas comunidades, a portuguesa distingue-se de todas as outras. Entre mitos e verdades, como é visto o português no estrangeiro na hora de contratar?
Do 8 ao 80, existem os que nos adoram e os que nos detestam. Nada de intermédio, pois somos diferentes demais para passarmos despercebidos. Os portugueses são vistos como o povo mais trabalhador da Europa, assim como o mais inteligente e astuto. Venham de lá os outros "estrangeiros", pois enquanto eles estão a começar já os portugueses terminaram. A rapidez, perfeição e técnica do português não se compara, e ai daquele que comparar, pois o português não admite tal coisa. Aliás, o português é um trabalhador tão perfeito que prefere realizar as tarefas sozinho para que outros não lhe venham estragar todo o trabalho realizado. Mas se trabalha em grupo, e não distingue o que é o local de trabalho do café da esquina, quando dá por isso está dentro de uma embrulhada, que nada tem a ver com o trabalho, mas que afecta as relações profissionais no dia-a-dia. É que o português tem a mania de falar demais e os patrões estrangeiros não gostam de maus ambientes no trabalho, nem tão pouco de ter que parar o trabalho de toda a equipa para desfazer um mal-entendido ou separar uma luta. Ainda que o português seja aquele mais falta faz na equipa, que mais produção realiza, que mais inovação trás à empresa, isso pode não significar nada.
Então, na hora de contratar, as empresas vão analisar quais são os factos que pesam mais na balança. E dependendo da capacidade de avaliação do recrutante, a grande benesse da dúvida irá perpetuar apenas uma coisa: a reputação do português como um ambicioso e excelente trabalhador, que fará a empresa progredir, ou o estigma do português como um colega intriguista e egocêntrico, que põe em causa a integridade e bom funcionamento da empresa.
No estrangeiro, os "estrangeiros" são os nativos e os que vêm de fora são então os estrangeiros - os emigrantes. Locais onde se verifica maior aglomeração deste fenómeno são alvo de povoação do mesmo, ou nos seus arredores. E com isto se formam as comunidades emigrantes, gente do mesmo povo, com uma mesma cultura e tradição, que se reúne para habitar ou trabalhar naquele local.
Na hora de contratar, ser estrangeiro por vezes é um requisito ou condição bastante inquietante. A necessidade de mão-de-obra pelo patronato demonstra a falta de pessoal (com ou sem qualificações) em determinado sector laboral. Assim, as empresas procuram agências de trabalho temporário para lhes fornecer a mão-de-obra necessária e, claro, mais barata. Estas por sua vez, recrutam o pessoal estrangeiro, que se encontra previamente inscrito nas suas listas.
Entre tantas comunidades, a portuguesa distingue-se de todas as outras. Entre mitos e verdades, como é visto o português no estrangeiro na hora de contratar?
Do 8 ao 80, existem os que nos adoram e os que nos detestam. Nada de intermédio, pois somos diferentes demais para passarmos despercebidos. Os portugueses são vistos como o povo mais trabalhador da Europa, assim como o mais inteligente e astuto. Venham de lá os outros "estrangeiros", pois enquanto eles estão a começar já os portugueses terminaram. A rapidez, perfeição e técnica do português não se compara, e ai daquele que comparar, pois o português não admite tal coisa. Aliás, o português é um trabalhador tão perfeito que prefere realizar as tarefas sozinho para que outros não lhe venham estragar todo o trabalho realizado. Mas se trabalha em grupo, e não distingue o que é o local de trabalho do café da esquina, quando dá por isso está dentro de uma embrulhada, que nada tem a ver com o trabalho, mas que afecta as relações profissionais no dia-a-dia. É que o português tem a mania de falar demais e os patrões estrangeiros não gostam de maus ambientes no trabalho, nem tão pouco de ter que parar o trabalho de toda a equipa para desfazer um mal-entendido ou separar uma luta. Ainda que o português seja aquele mais falta faz na equipa, que mais produção realiza, que mais inovação trás à empresa, isso pode não significar nada.
Então, na hora de contratar, as empresas vão analisar quais são os factos que pesam mais na balança. E dependendo da capacidade de avaliação do recrutante, a grande benesse da dúvida irá perpetuar apenas uma coisa: a reputação do português como um ambicioso e excelente trabalhador, que fará a empresa progredir, ou o estigma do português como um colega intriguista e egocêntrico, que põe em causa a integridade e bom funcionamento da empresa.
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